Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

O MUNDO SEGUNDO AS CRIANÇAS: DICIONÁRIO TRAZ UMA PARTICULAR VISÃO DA REALIDADE QUE OS ADULTOS MUITAS VEZES JÁ ESQUECERAM

Universo: casa das estrelas

Universo: casa das estrelas

Da Catraca Livre

Dicionário feito por crianças revela a adultos um mundo que já esqueceram
Por Redação

Um professor colombiano passou dez anos coletando definições de seus alunos e, como resultado, obteve um dicionário com verbetes ao mesmo tempo puros, lógicos e reais

A Feira do Livro de Bogotá, que aconteceu no final de abril, teve como maior sucesso um livro chamado “Casa das estrelas: o universo contado pelas crianças”. Mais especificamente, uma parte dele: um dicionário feito por crianças que traz cerca de 500 definições para 133 palavras, de A a Z.

Apesar de lançado originalmente em 1999, o livro foi reeditado neste ano. Javier Naranjo, o autor, conta que compilou as informações durante dez anos enquanto trabalhava como professor em diferentes escolas do estado de Antioquía, região rural do leste do país.

A ideia surgiu quando, em uma comemoração do Dia das Crianças, ele pediu que seus alunos definissem a palavra “criança”. O resultado encantou o professor – uma das definições era “uma criança é um amigo que tem o cabelo curtinho, não toma rum e vai dormir mais cedo”. A partir daí foram surgindo novas definições, que eram sempre anotadas e guardadas.

Para ele, as crianças têm uma lógica diferente, uma maneira própria de entender o mundo e de revelar muitas coisas que os adultos já esqueceram. É assim que, no peculiar dicionário, o adulto é uma “pessoa que em toda coisa que fala, fala primeiro de si”, água é uma “transparência que se pode tomar”, um camponês “não tem casa, nem dinheiro. Somente seus filhos” e a Colômbia é “uma partida de futebol”.

Confira no box ao lado alguns dos verbetes encontrados no livro.

Com informações da BBC Mundo.

Veja alguns verbetes:

Adulto: Pessoa que em toda coisa que fala, fala primeiro dela mesma (Andrés Felipe Bedoya, 8 anos)

Ancião: É um homem que fica sentado o dia todo (Maryluz Arbeláez, 9 anos)

Água: Transparência que se pode tomar (Tatiana Ramírez, 7 anos)

Branco: O branco é uma cor que não pinta (Jonathan Ramírez, 11 anos)

Camponês: um camponês não tem casa, nem dinheiro. Somente seus filhos (Luis Alberto Ortiz, 8 anos)

Céu: De onde sai o dia (Duván Arnulfo Arango, 8 anos)

Colômbia: É uma partida de futebol (Diego Giraldo, 8 anos)

Dinheiro: Coisa de interesse para os outros com a qual se faz amigos e, sem ela, se faz inimigos (Ana María Noreña, 12 anos)

Deus: É o amor com cabelo grande e poderes (Ana Milena Hurtado, 5 anos)

Escuridão: É como o frescor da noite (Ana Cristina Henao, 8 anos)

Guerra:Gente que se mata por um pedaço de terra ou de paz (Juan Carlos Mejía, 11 anos)

Inveja: Atirar pedras nos amigos (Alejandro Tobón, 7 anos)

Igreja: Onde a pessoa vai perdoar Deus (Natalia Bueno, 7 anos)

Lua: É o que nos dá a noite (Leidy Johanna García, 8 anos)

Mãe: Mãe entende e depois vai dormir (Juan Alzate, 6 anos)

Paz: Quando a pessoa se perdoa (Juan Camilo Hurtado, 8 anos)

Sexo: É uma pessoa que se beija em cima da outra (Luisa Pates, 8 anos)

Solidão: Tristeza que dá na pessoa às vezes (Iván Darío López, 10 anos)

Tempo: Coisa que passa para lembrar (Jorge Armando, 8 anos)

Universo: Casa das estrelas (Carlos Gómez, 12 anos)

Violência: Parte ruim da paz (Sara Martínez, 7 anos)

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OS REACINHAS PIRAM COM O VÍDEO, MAS A MORTALIDADE INFANTIL CAIU

Vídeo da TV Cidade de São Luiz mostra mulher dizendo que quer comprar calça de R$ 300 para a filha e abaixo uma pesquisa sobre o bolsa família, da Agência Brasil.

Pesquisa revela: Bolsa Família teve impacto na queda da mortalidade infantil

Yara Aquino
Repórter da Agência Brasil

Brasília – Uma pesquisa feita para avaliar os impactos do Programa Bolsa Família nas taxas de mortalidade infantil mostra redução de 17% na mortalidade de crianças menores de 5 anos, entre 2004 e 2009. A pesquisa foi feita com dados de cerca de 50% dos municípios brasileiros e revela que o programa contribuiu, principalmente, para a redução dos óbitos em decorrência da desnutrição. A pesquisa registra que o Programa Saúde da Família também contribuiu para a queda dos números.

Os dados apontam que a condicionalidade do Bolsa Família de determinar que as crianças estejam com o cartão de vacinação em dia foi um ponto importante, já que aumentou a cobertura de imunização contra doenças como sarampo e pólio. O aumento da renda das famílias beneficiadas, que ampliaram o acesso a alimentos e bens relacionados à saúde, também é citado. Esses fatores foram destacados pela ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello.

“O Bolsa Família melhorou a alimentação das mães. Os estudos mostram que as família se dedicam a comprar comida com esses recursos e isso já é um elemento de alteração do padrão de vida da criança. Ter acompanhamento pré-natal também contribui muito porque a criança já é cuidada antes mesmo de nascer”, disse.

A pesquisa aponta que o Programa Saúde da Família, que oferece atenção básica à saúde, teve papel na redução da mortalidade causada por doenças como diarreia e infecções respiratórias. A redução no número de grávidas que davam à luz sem receber atendimento pré-natal também foi registrada pela pesquisa.

“Os dois programas se complementam para evitar o adoecimento das crianças na primeira infância. É importante observar como uma pequena quantia de dinheiro pode ter tamanho benefício em relação à mortalidade infantil”, avaliou Maurício Barreto, mestre em saúde comunitária e titular em epidemiologia do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

A pesquisa foi conduzida pelo mestre em saúde comunitária da UFBA, Davide Rasella, com a participação de pesquisadores da instituição. Os resultados foram publicados pela revista The Lancet, periódico científico da área de saúde, com sede no Reino Unido.

Edição: Denise Griesinger

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A GLOBO ESTÁ COM MEDO DA COMISSÃO DA VERDADE E CLAMA POR IMPUNIDADE PARA OS CRIMES DO ESTADO

O Globo teme a Comissão da Verdade

Por Altamiro Borges/Blog do Miro

Medo da verdade

Medo da verdade

Em editorial publicado nesta terça-feira (21), o jornal O Globo confessa que está com medo do desenrolar das investigações da Comissão da Verdade. A famiglia Marinho, que apoiou o golpe militar de 1964 e que foi recompensada pela ditadura na construção do seu império midiático, faz um apelo para que as apurações sejam limitadas: “A anistia foi concedida no Brasil de forma recíproca, mediante ampla negociação entre o regime e a oposição, como parte do processo de redemocratização, realizado sem traumas, e que, por isso mesmo, resultou numa democracia estável… Não cabe à Comissão encaminhar qualquer nome ao Ministério Público e à Justiça para ser processado por supostos crimes cometidos na repressão política, nem propor qualquer inciativa neste sentido. Seria, no mínimo, ilegal”.

Na prática, o editorial tenta enquadrar os membros da Comissão. Um dia antes, alguns deles propuseram explicitamente a revisão da lei da anistia e a punição dos carrascos da ditadura. A notícia foi publicada por Roldão Arruda, no jornal Estadão. “Ganha corpo entre seus integrantes a ideia de que o relatório final da comissão, a ser divulgado no segundo semestre de 2014, deve recomendar a revisão da interpretação legal em vigor e a responsabilização penal de agentes de Estado que cometeram graves violações de direitos humanos no período da ditadura militar. Atualmente, eles não podem ser responsabilizados pelos crimes que estão sendo apurados pela comissão. Integrantes que defendem a recomendação da mudança argumentam que a lei que criou o grupo, em 2011, incluiu entre as suas tarefas sugerir ao Estado brasileiro medidas eficazes para que as violações não se repitam. Uma dessas medidas seria o julgamento de militares e policiais envolvidos em casos de sequestro, tortura, ocultação de cadáveres e outros crimes na ditadura”. (Texto integral)

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MOVIMENTO NAS AGÊNCIAS DA CAIXA VOLTA AO NORMAL, MAS DILMA ROUSSEFF DIZ QUE BOATO SOBRE O FIM DO BOLSA FAMÍLIA É CRIMINOSO

Boato sobre o fim do Bolsa Família é criminoso, diz presidenta Dilma

Danilo Macedo
Repórter da Agência Brasil

Dilma batiza petroleiro Zumbi dos Palmares

Dilma batiza petroleiro Zumbi dos Palmares

Brasília – A presidenta Dilma Rousseff criticou hoje (20) o boato que surgiu no último fim de semana de que os benefícios do Bolsa Família seriam suspensos e assegurou o compromisso do seu governo com o programa. Ela fez um apelo aos brasileiros para que não acreditem nos pessimistas e, sobretudo, nos boatos, “porque os boatos no país às vezes ocorrem de forma surpreendente”.

“Queria deixar claro que o compromisso do meu governo com o Bolsa Família é forte, profundo e definitivo”, disse a presidenta durante cerimônia que marcou o início da operação do navio petroleiro Zumbi dos Palmares, no Porto de Suape, em Pernambuco. “É algo absurdamente desumano o autor desse boato. Além de ser desumano, ele é criminoso. Por isso colocamos a Polícia Federal para descobrir a origem do boato, que tinha por objetivo levar a intranquilidade a milhões de brasileiros que nos últimos dez anos estão saindo da pobreza extrema”.

A informação falsa de que só seria possível sacar o benefício até o último sábado (18), se espalhou pelas redes sociais e levou muitas pessoas às agências da Caixa Econômica Federal e dos Correios. A presidência da República detectou a informação em estados como a Paraíba, o Amazonas, o Maranhão e o Rio de Janeiro.

A ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, fez ontem (19) um apelo para que a população siga o calendário do governo para saque do benefício do Programa Bolsa Família e não procure as agências da Caixa Econômica Federal e dos Correios antes da data.

Edição: Denise Griesinger

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Caixa informa que saque do Bolsa Família está normal

Alex Rodrigues
Repórter da Agência Brasil

Brasília – A Caixa Econômica Federal informou que o movimento nas agências bancárias e lotéricas credenciadas à instituição está “sob controle” e que os benefícios concedidos por meio do Programa Bolsa Família estão sendo liberados conforme o calendário normal. Durante o último final de semana, boatos de que o governo federal iria extinguir o programa e de que um bônus pelo Dia das Mães estaria sendo pago apenas até ontem (19) levaram centenas de pessoas a procurar um posto credenciado, causando transtornos em 12 estados.  

Segundo a assessoria do banco, em algumas agências de diferentes unidades da Federação foi registrado um movimento maior que o habitual durante a manhã de hoje (20), mas nenhum tumulto. Ainda de acordo com a assessoria, as pessoas continuam buscando informações sobre o benefício, mas a tendência é que o movimento se normalize à medida que as pessoas souberem que houve um mal-entendido.

Ontem (19), a ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, desmentiu os boatos sobre extinção do programa. Além de pedir que os beneficiários seguissem o calendário do governo para sacar o benefício, a ministra confirmou que o governo solicitou à Polícia Federal (PF) que investigue as origens dos boatos. E garantiu que o programa, que beneficia 13,8 milhões de famílias ou 50 milhões de cidadãos, não será extinto. Para este ano, o orçamento destinado ao programa chega a R$ 24 bilhões.

Além de consultar o calendário de pagamento no site da Caixa, o interessado também pode obter informações pelo telefone 0800 726 0207.

Edição: Carolina Pimentel

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TURBINA EÓLICA DE EIXO VERTICAL É CAPAZ DE APROVEITAR ATÉ DEZ VEZES MAIS A ENERGIA DOS VENTOS

Novo modelo traz maior economia de energia

Novo modelo traz maior economia de energia

Do Ciclo Vivo

Brasileiro cria turbina eólica de eixo vertical altamente eficiente

O inventor brasileiro Antonio Bossolan é o responsável pela criação da “Turbina eólica de eixo vertical”, que é capaz de aproveitar até dez vezes mais a energia dos ventos que passam por ela. A inspiração surgiu pela necessidade de tornar os sistemas eólicos mais eficientes.

De acordo com Bossolan, as turbinas eólicas convencionais desperdiçam muita energia. Estas turbinas são capazes de captar a força dos ventos que correm apenas entre as pás, sendo que toda a parte da base, que também é ventilada, não retém a energia que passa por ela.

O modelo idealizado pelo brasileiro possui um grande número de pás móveis, instaladas por quase toda a sua estrutura e que se posicionam sempre com a face no sentido vertical na direção dos ventos e horizontal no sentido contrário dos ventos.

Os conjuntos de quatro pás, em formato de cruz, podem ser empilhadas, ficando com a aparência de uma árvore, e tendo a finalidade de ocupar toda a base para, desta forma, captar ainda mais a energia dos ventos. Quanto maior as proporções da turbina, bem como o número de conjuntos de pás empilhadas, maior será o aproveitamento da energia eólica.

Antonio Bossolan, já possui patente nacional e internacional, mas ainda está em busca de parceiros e investidores para transformar o conceito em uma estrutura real. (Texto original)

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LASAR SEGALL: O ARTISTA CROMÁTICO E SOCIAL

Lasar e seus colegas em uma sessão de pintura ao ar livre: liberdade e vanguarda

Lasar e seus colegas em uma sessão de pintura ao ar livre: liberdade e vanguarda

Por Maura Voltarelli

Alemão naturalizado brasileiro, Lasar Segall é considerado um dos ícones do modernismo brasileiro, seguindo e solidificando um caminho já aberto por Anita Malfati e pelo movimento modernista de 1922. Pintor de traços inusitados, que rompem com os academicismos e as formas tradicionais da pintura realista, adepto das cores fortes e expressivas, tocado pela crítica social e pela denúncia política do antissemitismo e dos horrores da guerra, Lasar combinou as heranças da tradição e cultura europeia com as cores e as temáticas tropicais, criando uma obra original e sempre atual.

A primeira exposição do artista no Brasil aconteceu em março de 1913, em São Paulo, e nas obras mostradas já se podiam ver as marcas do impressionismo alemão e da pintura holandesa.  Em comemoração ao centenário da exposição, o Museu Lasar Segall programou exposições de 50 obras do artista que pertencem ao acervo do Museu e também de algumas fotografias que faziam parte de seu arquivo pessoal.

Encontro

Encontro

Lasar tinha uma relação muito próxima com a fotografia, tanto que muitos de seus quadros, como Encontro, por exemplo, remetem diretamente a uma imagem fotográfica de seu casamento, apenas modificando alguns detalhes. Fotografias marcantes que traduzem um pouco do que foi a trajetória do artista, bem como movimentos decisivos para construir a proposta e o perfil estético de seu trabalho, como a fotografia que registra uma sessão de pintura ao ar livre com colegas da Academia de Dresden, em 1911, também fazem parte da exposição.

Nesta fotografia os colegas da academia carregam a modelo nua, em um manifesto que já ditava o movimento libertário e de vanguarda que se formava no momento.

Os demais registros fotográficos e as obras, algumas recentemente recuperadas pelo Museu, como Eternos Caminhantes, revelam o artista histórico e ousado. Eternos Caminhantes traz um grupo de andantes, tema recorrente na obra do mestre expressionista, que faz referência ao êxodo e à perseguição aos judeus. Sintética e geometrizada, a obra se instala em um tempo específico e, pela qualidade de sua construção, projeta-se na eternidade conquistada pelos grandes artistas.

Outras obras, como Bananal, trazem a temática tropical, sempre presente em Sagall principalmente na sua fase mais marcadamente expressionista. Parecem sinais do quanto o artista de terras frias ia se misturando com os costumes, as cores, a gente, das terras quentes tropicais, refletindo e ajudando a construir o modernismo de nossa arte.

Eternos caminhantes

Eternos caminhantes

Mesmo adepto do expressionismo, da (re)criação da realidade, e dono de um estilo próprio, Lasar também mantinha o diálogo com algumas tradições da pintura, revisitando gêneros como natureza-morta, retrato e paisagem. Os rostos, as frutas, os lugares ganham, no entanto, sempre o seu tom, a sua ousadia. Em cada obra respira certa sensualidade bruta original e uma denúncia visceral dos movimentos históricos, e, para os que querem encarar as trevas no coração da história, voltar ao seu Navio de emigrantes é sempre uma forma de voltar a nós mesmos.

Página do Museu Lasar Segall, onde podem ser vistas obras e fotografias do artista.

Algumas informações retiradas da revista da FAPESP, que traz reportagem com mais informações sobre o Museu Lasar Segall e sobre a exposição comemorativa.

Navio de emigrantes

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“ENGENHARIA SEM FRONTEIRAS”: PROFESSOR BRASILEIRO QUE TRABALHA NOS EUA APONTA AS FALHAS E O VIÉS CAPITALISTA DO PROGRAMA DO GOVERNO FEDERAL

A presidenta Dilma no lançamento do programa "Ciências sem fronteiras"

A presidenta Dilma no lançamento do programa “Ciências sem fronteiras”

Do Facebook de Idelber Avelar, professor na Tulane University (New Orleans, Louisiana).

Por Idelber Avelar

Aqui vão algumas observações, fruto de uns meses de reflexão e apuração sobre o Ciência sem Fronteiras. Esclareço aos amigos beneficiados pelo programa que se trata de observações sobre o CSF do ponto de vista de política pública, é óbvio. Quem competiu dentro de um edital legalmente constituído e conquistou a bolsa merece só os parabéns e os votos de que aproveite.

Sei que o CSF inclui a pós-graduação, mas os comentários que seguem se limitam à graduação.

1. O Ciência sem Fronteiras, assim como Belo Monte, é obsessão pessoal da Presidenta. Ele foi instituído da seguinte forma: Dilma convocou os Presidentes da Capes e do CNPq e comunicou-lhes que o Brasil enviaria 100 mil estudantes ao exterior. Assim, desse jeito. Não surpreende, então, para quem conhece o cotidiano autocrático do Palácio do Planalto, que a Capes tenha maquiado dados (http://bit.ly/17AZuOq) e incluído bolsas regulares como parte do CSF.

2. A qualidade do sistema universitário dos EUA, para onde está vindo um enorme naco dos alunos brasileiros, é fruto da relativa abundância de recursos, sua autonomia, a excelência de sua pós-graduação, os mecanismos impessoais de avaliação, promoção e contratação etc. MAS, se há uma coisa que NÃO diferencia as boas universidades dos EUA das boas universidades brasileiras é a qualidade das aulas de graduação. Há diferenças no acesso a material de pesquisa, por exemplo, mas não há significativa diferença na qualidade e aprofundamento nas aulas de graduação.

3. É sabido que o ensino superior nos EUA é extremamente caro. Quando nasce um moleque aqui, as famílias começam a poupar para mandá-lo à universidade. Em Tulane, onde leciono, a matrícula para o ano 2012-2013 custa US $45.240,00. Ou seja, quase cem mil reais pelo ano letivo. O que pouca gente sabe é que praticamente ninguém paga esse valor. Há uma série de programas de bolsas, ajuda de custo por mérito etc, sem contar os empréstimos. Qual é a diferença, então, entre os alunos que vêm do Brasil pelo CSF e os alunos regulares que recebemos aqui? O governo brasileiro paga a matrícula dos seus na íntegra, em dinheiro vivo. Para que – no caso dos alunos de graduação – eles tenham aulas de nível básico que não diferem significativamente das aulas às que teriam acesso nas melhores universidades brasileiras. Continuem acompanhando.

4. Como se sabe, o programa Ciência sem Fronteiras tem um nome bem sinedóquico. Não é “ciência” sem fronteiras. Nele não estão incluídas as ciências humanas. Não estão incluídas as ciências sociais. Não estão incluídas as artes, Letras, nada. Um nome muito mais honesto seria “engenharia sem fronteiras”, apesar de que uma ou outra área contemplada escapa da engenharia (sem jamais escapar da técnica). Dilma Rousseff, um belo dia, descobre que há bolsas de teatro e decreta que não se enviarão mais de alunos de ciências humanas ao exterior. Sim, foi dessa forma que aconteceu. O recado a estas áreas é óbvio: vocês não têm importância, quem importa são os técnicos. Na mesma levada, ela elimina as bolsas para países de língua portuguesa e espanhola. Ou seja, transforma uma ideia já ruim num Yázigi feito através aulas básicas de ciências exatas no exterior, pagas com enormes quantidades de dinheiro público brasileiro.

5. O Brasil deve enviar estudantes ao exterior? É evidente que sim. Mas esse envio só tem sentido no momento em que esses alunos já são pesquisadores, ou seja, quando são mestrandos ou doutorandos. Para a graduação, a política que faria sentido seria usar esse dinheiro para remunerar melhor os professores brasileiros, investir em infra-estrutura, equipar as bibliotecas brasileiras. Em vez disso, Dilma consegue: 1) enviar às ciências humanas e sociais o recado de que elas não importam; 2) estabelecer de forma autocrática uma meta irreal, que faz a Capes e o CNPq ficarem como loucos tentando atingi-la, chegando inclusive à maquiagem de estatísticas; 3) despejar gigantescas quantidades de dinheiro público para que alunos de graduação façam, no exterior, cursos básicos, não muito diferentes dos que existem por aí; 4) privilegiar, no processo, “convênios” com a iniciativa privada, que são nada mais que mercantilização capitalista do conhecimento. Que não vai reverter para benefício público coisa nenhuma, é óbvio.

Resumindo a ópera: graças à obsessão tecnocrática de Dilma Rousseff, vocês estão subsidiando o meu salário, que não precisa de subsídio brasileiro. E estão fazendo isso para que alunos de graduação tenham, aqui, aulas não muito diferentes das que teriam aí no Brasil. Não faz o menor sentido, a não ser para a iniciativa privada, brasileira e estrangeira, que lucrará com isso.

É a concepção mais capitalista de conhecimento que já vi no Brasil desde a ditadura militar.

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PROCURADORIA GERAL DA REPÚBLICA ‘ESQUECE’ DE RECORRER CONTRA DANIEL DANTAS, OPERADOR DO PORTO DE SANTOS

Ministério Público perde prazo da Satiagraha e Dantas se livra da cadeia

Do Acerto de Contas
Daniel Dantas, o “Dono do Brasil”

O título que você lê acima não é uma piada. A Procuradoria Geral da República perdeu o prazo para recorrer no STJ da decisão que anulou as provas obtidas pela Polícia Federal na Operação Satiagraha.

Isso mesmo, o nosso zeloso Ministério Público Federal vai deixar Daniel Dantas ficar livre simplesmente porque perdeu o prazo para recorrer de uma decisão que muitos ministros do STJ consideravam absurdas, e que cairia no Pleno do Tribunal.

Não estamos falando de um processo trabalhista de 500 merréis. Estamos falando do processo penal mais importante em andamento no país, contra a quadrilha mais poderosa que se tem notícia.

O maior absurdo disso tudo é que a PGR disse que não foi notificada, depois que passou para um subprocurador que teria se aposentado.

Daqui a pouco vai colocar a culpa no contínuo.

 


Gurgel, tome vergonha na cara  e peça pra sair

Se este fosse um país sério, neste momento o Procurador Geral, Roberto Gurgel, estaria demitido, e o responsável pelo processo estaria se preparando para dormir na prisão.

Mas não, semana que vem nosso “Procurador” estará todo serelepe na televisão dando alguma entrevista em nome da moralidade, ou ainda articulando o aumento no seu salário, próximo de R$ 30 mil.

E ninguém vai cobrar do magistral Ministério Público uma investigação para saber o responsável pela impunidade dantesca?

Daniel Dantas já tinha dado a senha a seu advogado: “resolva meus problemas na primeira instância, que lá em Brasília eu resolvo”.

Daniel Dantas pode bater no peito e dizer: “Este país tem dono…Eu sou o Dono do Brasil”.

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EFEITO NEOLIBERAL: IMPOSTO DO QUARTO VAZIO PROVOCA A MORTE DE UMA SENHORA DE 53 ANOS NA INGLATERRA

Ingleses protestam contra o "imposto do dormitório"

Ingleses protestam contra o “imposto do dormitório”

Esses são os resultados da política de austeridade neoliberal que vem sendo implantada na Europa.

Cobranças absurdas, como a do imposto do quarto vazio na Inglaterra, e cortes em serviços públicos essenciais, como saúde e educação, têm levado pessoas à morte.

Como mostra Cynara Menezes neste texto, os pobres são quem sempre acaba pagando a conta pela ambição de concentração de renda e enriquecimento irresponsável de poucos, baseado no desmantelamento do público em benefício do privado.

Horrores do neoliberalismo: avó inglesa se mata por não poder pagar “imposto do dormitório”

Por Cynara Menezes

(protesto contra o imposto do dormitório na Inglaterra)

Quem paga a conta da crise na Europa? Os pobres, claro. Assim como vem acontecendo na Espanha, onde tem gente se matando por conta dos despejos promovidos pelos bancos, agora é na Inglaterra que começam a aparecer suicidas por questões econômicas. No último dia 4 de maio, Stephanie Botrill, de 53 anos, deu fim à própria vida porque não podia pagar uma nova taxa instituída pelo governo conservador de David Cameron: o “imposto do dormitório” (bedroom tax). Trata-se de um imposto bizarro que vai atingir sobretudo os mais carentes, porque é direcionado às casas e apartamentos administrados pelas prefeituras, onde moram as famílias de baixa renda, pagando aluguel.

Com o novo imposto, as pessoas que vivem nestas casas terão de pagar uma taxa extra de 10 libras semanais por quarto desocupado. Ou seja, se seu filho saiu de casa, você precisa dar uma grana ao governo por isso. Estima-se que mais de 220 mil famílias serão atingidas pelos cortes impostos por Cameron nos benefícios sociais. O primeiro-ministro já passou o facão na educação, saúde e segurança e agora chega à moradia. Obviamente as novas regras têm provocado protestos no país. Sindicatos, oposição e até líderes religiosos se uniram sobretudo contra o malfadado imposto do dormitório, que começou a vigorar no dia 1 de abril.

Stephanie Botrill, que criou os dois filhos como mãe solteira, estava triste por ter que deixar a casa onde viveu durante 18 anos porque não tinha como pagar o imposto. Como os filhos cresceram e foram morar sozinhos, ela teria que pagar, pelos dois quartos vazios, 80 libras a mais por mês (cerca de 245 reais), algo impensável em seu apertado orçamento. Já tinha até empacotado as coisas para ir embora quando tomou a decisão de se matar. Em um bilhete ao filho, Steven, de 27 anos, Stephanie deixa muito claras as razões para o ato desesperado: “Não se culpe porque terminei com a minha vida. Os únicos responsáveis estão no governo”.

Como no Brasil, os jornais ingleses também têm a tradição de não noticiar suicídios, mas, neste caso, como envolvia políticas públicas, abriram uma exceção. Integrantes do gabinete de Cameron tentaram minimizar o caso. Um ministro lamentou a morte “trágica”, mas disse ser “errado” conectá-la às políticas do governo, como se a própria Stephanie não tivesse feito isso em sua carta suicida.

O que mais me impressiona, além da crueldade destas leis supostamente para “resolver” a crise (eu duvido), é a possibilidade de se instaurar no país uma sociedade policialesca a la 1984 de George Orwell –ou à moda do regime stalinista que o livro criticava. Quem vai denunciar os moradores que têm quartos sobrando? Haverá dedos-duros oficiais? Eles serão premiados? Se for feita pelo governo, como será esta vigilância? Todo mês irá um fiscal às casas para verificar quantas pessoas estão lá morando? E o que é pior: para onde irão as pessoas que não podem pagar o imposto do dormitório, como Stephanie? Tristes tempos. (Texto original)

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