Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

INTERNET BANDA LARGA É O GRANDE NÓ DA INFRAESTRUTURA E DA DEMOCRACIA DO BRASIL

Teles querem manter o apagão da internet no Brasil

As grandes empresas de telecomunicações, que oferecem uma internet banda estreita e cara, ameaçam entrar na Justiça para tentar impedir que o governo crie uma estrutura que permita acesso à internet para um grande número de brasileiros e que haja capitalismo e competição no setor.

Todos os países do mundo estão realizando grandes investimentos em internet para que a população tenha acesso com qualidade e barato. Esse vai ser o diferencial competitivo das próximas décadas. Mas não só isso, a internet banda larga é uma grande oportunidade para se diminuir o oligopólio dos meios de comunicação e permitir uma pluralidade de vozes. Isso porque cada vez mais a internet ganha audiência em detrimento da televisão, que foi o grande concentrador de poder comunicacional das últimas décadas.

O objetivo das Teles, criadas durante o governo FHC com monopólio em regiões do país, é entrar na Justiça alegando inconstitucionalidade e levar a discussão para o Congresso, onde o lobby pode ser praticado e o processo emperrado. É uma forma de deixar o Brasil às escuras.

Leia matéria do Vermelho:

Com saudades de FHC, empresas privadas querem barrar banda larga

Beneficiadas pelo escandaloso processo de privatização conduzido pelo governo FHC e com saudades do neoliberalismo tucano, as grandes empresas privadas de telecomunicações estão em campanha contra a Telebrás e o plano do governo Lula para universalizar o acesso à banda larga.

Após a divulgação pelo Planalto do Plano Nacional de Banda Larga, as empresas de telefonia cogitam recorrer à Justiça para tentar impedir a Telebrás de oferecer internet rápida a usuários finais.

Oligopólio

Segundo executivos ouvidos ontem pelo jornal “Folha de São Paulo”, a reativação da Telebrás uniu tradicionais concorrentes, como Embratel, Oi, Telefônica e GVT, que se sentem igualmente ameaçadas pela perspectiva de terem concorrência estatal no segmento de banda larga. A união sugere a existência de um oligopólio que dita os preços (altíssimos) cobrados pelos serviços de banda larga no mercado.

De acordo com a reportagem, as teles esperavam discussão antes do anúncio, e o plano abre a possibilidade de intervenção estatal no ramo que antes da privatização promovida por FHC era completamente operado e controlado pelo Estado.

Neoliberalismo tucano

As empresas privadas revelaram saudades do neoliberalismo tucano e alegam que a lei que criou a Telebrás estabelece que a estatal só poderia operar a rede de banda larga com autorização do Congresso Nacional, por meio de uma nova lei.

A reativação da Telebrás como prestadora de serviço, na interpretação das privadas, seria uma quebra nos compromissos assumidos pelo governo FHC por ocasião da privatização da telefonia, em 1998.

Exclusão social

O que tais empresas querem, mas não admitem publicamente, é preservar o monopólio privado da banda larga, um serviço que hoje no país sai muito caro para os consumidores e garante altos lucros aos capitalistas que exploram o ramo. Por esta razão, é um serviço acessível a uma proporção reduzida da população. Dezenas de milhões de brasileiros são simplesmente excluídos da possibilidade de acesso à banda larga em função dos baixos salários vigentes por aqui;

O plano do governo Lula é universalizar o acesso, promovendo a chamada inclusão digital. Além de garantir mais justiça social, a universalização terá efeitos muito positivos para o desenvolvimento nacional e, especialmente, para a educação popular.

Choque de interesses

Todavia, a universalização só será possível com a redução substancial do preço da banda larga, o que pressupõe a quebra do monopólio privado. Só a intervenção do Estado, através da Telebrás (que foi destruída pelos tucanos e ressuscitada agora pelo governo Lula), pode garantir banda larga a preços baixos ou gratuita para todos, conforme pretende o governo com total apoio dos movimentos sociais e dos partidos e personalidades progressistas.

A universalização contempla os interesses nacionais, mas as empresas privadas estão em franca contradição com a nação. Essas são movidas apenas por um único e exclusivo interesse: a maximização dos lucros.

Da redação, Umberto Martins, com informações do jornal “Folha de São Paulo”

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