Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

CRIANÇAS E JOVENS SÃO VÍTIMAS DA VIOLÊNCIA DOMÉSTICA NA ARGENTINA E ENGROSSAM AS ESTATÍSTICAS DE ABANDONO DE LAR

O problema da violência doméstica não se restringe apenas à mulher. Quando ela acontece no ambiente familiar, geralmente se estende aos demais membros da família que são expostos a comportamentos autoritários quando não são vítimas diretas destes. As práticas de violência doméstica, neste sentido, não se limitam a questões de gênero, elas perpassam o círculo familiar e geram consequências traumáticas principalmente para os mais jovens.

Essa realidade vem sendo sentida na pele na Argentina onde “entre as 131 denúncias de abandono de lar recebidas no Registro Nacional de Informação de Pessoas Menores Extraviadas da Argentina, e analisadas nos últimos dias, 82 se referem a adolescentes mulheres. São 63%. E 100% desse universo de 131 denúncias, composto por homens e mulheres, corresponde a vítimas de violência doméstica: violência exercida sobre seus próprios filhos por pais e mães”, diz notícia publicada pela Carta Maior.

A presença expressiva deste problema social nas estatísticas de abandono de lar, revela o quanto ele é delicado e, ao mesmo tempo, como seus efeitos prejudicam a formação do indivíduo, para além da estrutura familiar. Crianças e jovens expostos à violência tendem a assumir comportamentos também violentos ou, quando isso não ocorre, a ficarem retraídas, inseguras, com dificuldade de aprendizagem e relacionamento.

E elas não precisam ser vítimas diretas da violência para apresentarem tais problemas. Quando o pai agride a mãe, por exemplo, esta torna-se, mesmo sem querer, uma mãe que pode apresentar comportamentos violentos ou exigentes demais com os filhos, além do que, visivelmente desequilibrada, ela não será uma boa referência de saúde, tampouco de felicidade.

Obviamente, o ambiente de violência expulsa os jovens de casa e os leva para situações de mais insegurança e violência. Desenha-se assim um círculo vicioso de uma violência invisível, na maioria das vezes, e que precisa torna-se visível. A violência contra a mulher apesar de ainda acontecer sem ser vista, já ganhou bem mais visibilidade tanto no âmbito da sociedade, quanto do estado. O mesmo deveria acontecer em relação às crianças e jovens, afinal, todos fazem parte da mesma realidade.

Veja trecho do texto sobre o assunto:

Violência doméstica na Argentina: não só as mulheres são vítimas
Entre as 131 denúncias de abandono de lar recebidas no Registro Nacional de Informação de Pessoas Menores Extraviadas da Argentina, 82 se referem a adolescentes mulheres. E 100% desse universo de 131 denúncias corresponde a vítimas de violência doméstica: violência exercida sobre seus próprios filhos por pais e mães. Meninos, meninas e adolescentes são vítimas invisíveis da violência de gênero e devem ser reconhecidos como vítimas visíveis. O artigo é de Cristina Fernández.

Por Cristina Fernández

Entre as 131 denúncias de abandono de lar recebidas no Registro Nacional de Informação de Pessoas Menores Extraviadas da Argentina, e analisadas nos últimos dias, 82 se referem a adolescentes mulheres. São 63%. E 100% desse universo de 131 denúncias, composto por homens e mulheres, corresponde a vítimas de violência doméstica: violência exercida sobre seus próprios filhos por pais e mães.

Meninos, meninas e adolescentes são vítimas invisíveis da violência de gênero e devem ser reconhecidos como vítimas visíveis. A Lei Nacional de Violência contra a Mulher entende a violência de gênero como “toda conduta, ação ou omissão que, de maneira direta ou indireta, tanto no âmbito público como privado, baseada em uma forma desigual de poder, afete a vida, a liberdade, a dignidade, a integridade física, psicológica, sexual, econômica ou patrimonial das mulheres, assim como também sua segurança pessoal”. E como a corda rompe no ponto mais fraco, junto à mulher agredida estão seus filhos e filhas, os mais machucados como vítimas mais ou menos passivas (e muitas vezes, não tanto).

Os círculos viciosos, as capilaridades familiares e sociais pelas quais circula a violência como forma de relacionamento, se reproduzem constantemente no seio de cada uma das famílias. O fenômeno fica evidente em cada pedido de busca sobre algum de seus filhos ou filhas menores de idade que chega ao Registro de Informação de Pessoas Menores Extraviadas. Pai que bate na mãe, pai que bate nos filhos e nas filhas, mãe que bate nos filhos e nas filhas e que, por sua vez, é agredida. E assim, indefinidamente, continua o círculo. (Texto completo)

Leia mais em Educação Política:

SUPREMO RECONHECE A CONSTITUCIONALIDADE DA LEI MARIA DA PENHA E DETERMINA QUE AUTOR DA AGRESSÃO PODE SER PROCESSADO MESMO QUE A VÍTIMA NÃO FAÇA A QUEIXA
SECRETARIA DE POLÍTICAS PARA MULHERES TEM NOVA MINISTRA, MAS QUESTÃO DO ABORTO CONTINUA SENDO UM TABU
SAÚDE DA MULHER: HISTÓRICAS CONDIÇÕES DE DESIGUALDADE INTERFEREM NO ATENDIMENTO DA MULHER PELO SUS
DEPOIS DE REVELAR TODO SEU PRECONCEITO EM RELAÇÃO AOS GARIS, BORIS CASOY AGORA REVELA CERTA IGNORÂNCIA AO ASSOCIAR LULA À MORTE DE DONA DA DASLU
About these ads

2 Respostas para “CRIANÇAS E JOVENS SÃO VÍTIMAS DA VIOLÊNCIA DOMÉSTICA NA ARGENTINA E ENGROSSAM AS ESTATÍSTICAS DE ABANDONO DE LAR

  1. Pingback: ENQUANTO OFICIAIS DA RESERVA SE DÃO AO LUXO DE NEGAR O PASSADO E OS 21 ANOS DE DITADURA MILITAR, CINEASTAS LANÇAM MANIFESTO EM APOIO À COMISSÃO DA VERDADE « Educação Política

  2. Pingback: PUBLICIDADE DEVE SER PROIBIDA PARA CRIANÇAS, DIZ COORDENADORA DE PROJETO DO INSTITUTO ALANA « Educação Política

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: